A Proposta


É verdadeiramente inquestionável que a área da saúde é essencial para uma sociedade, para cada família, para todas as pessoas!

Porém, apesar de ser um consenso a suma importância da saúde em cada um desses contextos, o que se vê são cidades e países com índices cada vez maiores de doenças de todos os tipos, famílias sofrendo com o adoecimento de seus membros e pessoas padecendo de moléstias físicas e, principalmente, psíquicas. A OMS (Organização Mundial de Saúde) calcula que, em 2020, a Depressão será a doença mais frequente no Mundo, mais prevalente inclusive que doenças cardiovasculares e moléstias infecto-contagiosas. Além disso, dentro do cotidiano dos profissionais que atuam diretamente nessa área como médicos, enfermeiros, dentistas, fisioterapeutas, psicólogos e outros, a situação também é bastante alarmante: de um lado estão os profissionais de saúde, cada vez mais sobrecarregados e também com sua saúde comprometida e, por outro lado, estão os pacientes progressivamente mais doentes e vitimizados, sem autonomia para assumir a responsabilidade que lhes cabe dentro do processo de recuperação da sua saúde.

Vale ressaltar que as estatísticas mostram que os profissionais de saúde também fazem parte da sociedade, das famílias e das pessoas que estão adoecendo. Eles apresentam índices de doenças osteo-articulares, Burnout, depressão, transtornos de ansiedade, dependência química e risco de suicídio mais altos que a população geral, justamente onde também se encontram incluídos os seus pacientes.

Mas, o que realmente está por trás desta situação? Tendemos a nos focar nos aspectos técnicos ou logísticos deste panorama, como por exemplo a sobrecarga da rotina de trabalho destes profissionais, a não priorização e o baixo investimento do governo na área da saúde, uma população que não cuida da sua alimentação nem do seu corpo de forma preventiva, uma sociedade que tem hábitos que vão na contramão de uma vida saudável como o sedentarismo, o fumo e um cotidiano bastante estressante, entre tantas outras possibilidades. Sim, tudo isso também faz parte do contexto, mas o que temos verificado, ao longo de nosso trabalho como profissionais da saúde dentro de uma visão sistêmica, é que a base de todos os problemas que estamos enfrentando dentro da nossa área de atuação tem a ver com RELACIONAMENTOS. Isso mesmo!! Assim como em todos os aspectos da nossa vida, eles também estão extremamente envolvidos com a realidade da nossa profissão!

Podemos observar facilmente que a maioria das pessoas que está doente tem os seus relacionamentos afetados e comprometidos, tanto como causa como consequência do processo de adoecer. Brigas familiares, desentendimentos conjugais, dificuldades de relacionamento no trabalho fazem parte da história de quem desenvolve um câncer, de quem não consegue controlar o seu Diabetes, de quem sofre de depressão ou de ansiedade.

No que diz respeito aos profissionais de saúde, uma outra questão fundamental é que estas profissões envolvem um aspecto técnico e também outro aspecto fundamentado nos relacionamentos. As questões técnicas têm a ver com os diagnósticos, os exames, os procedimentos, os tratamentos, estando cada vez mais em foco e com maior desenvolvimento. Porém, as profissões de ajuda são também essencialmente profissões de relacionamento, já que colaborar com alguém significa estar em contato mais íntimo com os pacientes e com todas as demais pessoas que estão envolvidas nesse processo. Mas, surpreendentemente, neste aspecto, não temos aprendizagem, ferramentas e nem desenvolvimento como no aspecto técnico-científico. Desta forma, temos constatado ao longo da nossa trajetória de vários anos, dentro do Instituto Desenvolvimento Sistêmico para a Vida (IDESV), que muito mais do QUE fazer para ter bons resultados na nossa vida, seja em termos pessoais ou profissionais, trata-se de COMO fazer, de uma mudança de postura que, automaticamente, vai gerar efeitos diferentes em todas as pessoas com as quais nos relacionamos.

Em termos gerais, na verdade, parece haver um pressuposto muito difundido de que já nascemos sabendo como nos relacionar, de que isso é algo instintivo e intuitivo, que não necessita ser aprendido, nem treinado, porém não é o que se percebe diante das inúmeras dificuldades que a convivência humana apresenta em todos os âmbitos da nossa vida. Se realmente saber se relacionar fosse algo tão natural de ser colocado em prática, a nossa realidade do que temos vivido até aqui seria bem diferente.

São perceptíveis muitos equívocos no que diz respeito a como interagir e como se posicionar dentro dos relacionamentos para se obter um bom efeito. Por exemplo, diferente do que se imagina, as relações do profissional de saúde com seus colegas de trabalho e com seus pacientes, e até mesmo dos pacientes com seus familiares, não podem ser compreendidas com as ferramentas de análise que a ciência convencional nos oferece, todas elas baseada na metodologia cartesiana. Não conseguimos encontrar nos relacionamentos a relação de “causa-efeito” que fundamenta a ciência. Isto porque, nas relações entre as pessoas, os dois lados “causam” algo um ao outro e se impactam com o efeito um do outro. Logo, precisamos de algo que nos ajude a resolver isso de uma outra maneira. Cabe aqui o conceito de inter-relação. Nos relacionamentos, todos os envolvidos são “agentes causais” de uma relação que gere bons ou maus efeitos para os envolvidos. É neste fundamento que se baseia a abordagem sistêmica que utilizamos neste Curso.

Assim sendo, a partir de um método de investigação fenomenológico e vivencial, baseado nos princípios sistêmicos, estabelecidos por vários teóricos e filósofos, como Virgínia Satir, Bert Hellinger e outros, desenvolveu-se uma forma de transmitir esses conceitos de maneira a serem aplicados na compreensão das relações humanas e na otimização de seus efeitos na vida das pessoas. A transmissão é feita de tal modo que os profissionais da saúde possam adquirir as percepções e a experiência suficiente para aplicarem, na sua vida profissional (com os pacientes, familiares dos pacientes e colegas de trabalho), assim como na sua vida pessoal, os princípios naturais que regem e atuam nos relacionamentos. Desta maneira, eles terão condições não só de viverem de forma mais gratificante e produtiva, mas também de promoverem a saúde plena e integral de quem estiver sob os seus cuidados. Neste contexto, é possível sim ajudar os pacientes de uma forma mais efetiva, sem auto-sacrifício, mantendo a própria saúde, com bem estar, e, ao mesmo tempo, aumentar a capacidade dos pacientes de cuidarem de si próprios de forma mais auto-responsável, digna e satisfatória, tornando os relacionamentos uma base firme de onde possa emergir a saúde e não mais a raiz das dificuldades que geram a doença.

Por isso, o nosso trabalho é fundamentado numa estratégia de como se relacionar para ter os melhores efeitos práticos, através de um aprendizado e de um treino que são essenciais para termos os mesmos resultados satisfatórios que conseguimos obter com tudo aquilo que reconhecemos precisar de um estudo mais aprofundado e de treinamento estruturado para ser bem aplicado e render bons frutos na nossa vida.

Essa é a base e a proposta da Saúde Sistêmica, um novo paradigma em termos de saúde e bem estar para profissionais, pacientes e todos os envolvidos nessa área tão fundamental da vida!